O mundo e eu...
Já fui intimista, cética e comunista, já li Fernando Morais e Brasil Nunca Mais. Engrossei a marcha do Fora Collor, estudei textos de Hegel, Marx e Gramsci.
Cantei “Pra não dizer que não falei de flores”, mas faz tanto tempo que nem me lembro. Apesar da poesia, compreendi que: ideologia não muda o homem, o homem é quem faz sua teoria.
Enquanto se repetir os mesmos abusos, não adianta escolher um lado do muro. Aliás, o muro de Berlim caiu em 88. De lá pra cá, a tecnologia deu um salto, mas o impasse continua: a fome devasta países como há séculos. A estrutura social quase não evoluiu, poucos continuam com muito e muitos, com pouco.
Serão partidos e ideologias capazes de mudar o país? Ou será atitude carregada de retidão, caráter, honestidade e sentimento de justiça?
Quando pensei assim, viajei para dentro de mim. Um encontro com meus defeitos e enganos, minhas virtudes, sentimentos e pensamentos... Deu vontade de crescer e aprender. Tornar-me um ser humano mais elaborado, menos egoísta e imbuído de senso de justiça.
Interessei-me por várias vertentes religiosas e espiritualistas. Fui parar na mitologia, nos povos medievais, nas sociedades matrifocais. Apaixonei-me pela natureza, pelo verde, pela esperança, pela terra.
Infelizmente o poder ainda domina o ser humano. Quando o homem aprender a dominar o poder, viveremos numa sociedade menos desigual, tenho certeza. Procuro plantar sementes, sejam reais ou de palavras.
Continuarei torcendo pela evolução, pelo florescer da justiça, paz e vontade nos nossos corações e mentes. Aí sim, falaremos de flores, caminharemos e cantaremos uma mesma canção...

Escrito por Cíntia Melo às 22h19
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