Do templo das mulheres de asas
Deixo rastros tenebrosos por onde passo.
Meus sentimentos são invernais
e os pensamentos, como larvas de vulcão.
Todos pensam que sou maléfica,
assustam-se com minha ébria aparência,
mas sou a sombra do sol que mareia teus olhos.
Sou o anjo protetor de tuas noites de angústia
E tu te negas a fitar o meu rosto,
mas te reflito no espelho, no livro, no tempo:
A jovem que grita no abismo adolescente,
a mãe que chora para alimentar suas crias.
Sou o desespero, a dor, a adaga que ensina.
Surrupio muitas vidas, tento almas perdidas.
Sangro tua pele para que aprendas o caminho,
afinal sou do templo das mulheres de asas.

Escrito por Cíntia Melo às 12h30
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